quarta-feira, 31 de março de 2010

Abdalla e José Salomão são citados por fontes governistas como possíveis nomes para compor a chapa majoritária com o PMDB de Gaguim

Josi afirma que não fará oposição caso Abdalla seja indicado para vice de Gaguim

Mesmo o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) não admitindo, o nome dele é natural para concorrer à reeleição nas eleições deste ano, e, dentro deste cenário, a especulação dos nomes de possíveis vices para compor a chapa majoritária começam a surgir. Um destes nomes especulados na semana passada pela imprensa é o do prefeito de Gurupi, Alexandre Abdalla (PR), que atenderia uma demanda da região sul do Estado, que nas últimas eleições não foi contemplada na chapa majoritária. Outro nome citado por fontes governistas é o do prefeito petista de Dianópolis, José Salomão.

Em entrevista ao Conexão Tocantins a deputada estadual peemedebista e líder do governo na Assembleia Legislativa, Josi Nunes, analisou a perspectiva de indicação destes nomes e afirmou que o cenário político ainda está muito incerto e que, o que vai avaliar os melhores nomes para compor a chapa majoritária são as pesquisas. Josi, entretanto não se opos a uma possível indicação de Abdalla. “Se o nome do Alexandre Abdalla tiver bem nas pesquisas não seremos nós, apesar de sermos oposição a ele em Gurupi, apesar de entendermos que não tem feito uma boa administração em Gurupi, não tem correspondido com os anseios de Gurupi. Mas não seremos nós que seremos oposição a ele”, afirmou.

Josi Nunes analisou a cobrança do sul do Estado para participar da chapa majoritária. Segundo ela tem que se sentar na mesa e discutir o nome das lideranças e a viabilidade da participação destas lideranças na majoritária. Segundo a deputada além de analisar o quadro regional tem que analisar o quadro partidário. A deputada lembrou que na eleição passada tanto o vice-governador Paulo Sidnei (PPS), quanto o governador Marcelo Miranda (PMDB) tinham suas bases eleitorais em Araguaina e isto não inviabilizou o processo de eleição do governador.

A líder do governo defendeu a articulação de uma grande aliança que possa contar com o PT e o PR “é fundamental que possamos agregar um número máximo de partidos”, disse a deputada. Josi afirmou que José Salomão é um líder importante que desponta dentro do PT. Ela ainda lembrou outros nomes do partido como o prefeito de Colinas do Tocantins, José Santana e deputada estadual Solange Duailibe,“o importante é que todos tenham flexibilidade e coloquem o projeto do Estado do Tocantins maior que os projetos individuais”, disse a deputada.

Ouça a entrevista no site Conexão Tocantins(www.conexaoto.com.br):

http://conexaoto.com.br/noticia/josi-afirma-que-nao-fara-oposicao-caso-abdalla-seja-indicado-para-vice-de-gaguim/9376

sexta-feira, 26 de março de 2010

José Salomão se reúne com Donizete e Raul Filho para definir candidaturas do PT


O prefeito de Dianópolis, José Salomão (PT,) estará em Palmas na segunda-feira, 29, para se reunir com o presidente do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores, Donizeti Nogueira e com o prefeito da Capital, Raul Filho (PT).

Salomão disse ao Site Roberta Tum que a legenda deve decidir logo no início da semana qual será o pré-candidato oficial da legenda ao Palácio Araguaia. Essa semana também será definitiva para o prefeito que vai resolver se irá se desincompatibilizar do cargo na prefeitura para se candidatar a deputado estadual.


Fonte: www.robertatum.com.br

quinta-feira, 25 de março de 2010

José Salomão diz que pretende permanecer na prefeitura, mas se PT convocar sairá candidato


O Prefeito de Dianópolis, José Salomão, afirmou em entrevista ao Site Roberta Tum que vai se desincompatibilizar do cargo à frente da Prefeitura do município caso o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) faça alguma convocação. Para ele, legendas da base do presidente Lula precisam chegar a um acordo para palanque único.

José Salomão (PT), prefeito de Dianópolis, afirmou em entrevista ao Site Roberta Tum que a tendência, devido a acontecimentos recentes é de que ele permaneça na prefeitura municipal da cidade. “Se o partido fizer uma convocação vou obedecer, mas ao que tudo indica, pelo cenário que tenho observado tudo caminha para que eu permaneça na Prefeitura”, explica Salomão.

O petista garantiu que a decisão de se desincompatibilizar do cargo depende da definição sobre qual será a composição do partido para a chapa majoritária. Para ele, o plano A do Partido dos Trabalhadores é confirmar a pré-candidatura do prefeito Raul Filho (PT) enquanto o plano B seria o nome do ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão (PT).

De acordo com o petista a decisão final deve ser tomada na próxima semana já que prazo definido pelo calendário eleitoral para desincompatibilização vai até o dia 3 de abril. Segundo o prefeito, o ideal para a legenda seria formar uma chapa no Tocantins com os partidos da base do presidente Lula.

“Para unificar o palanque da ministra Dilma Rousseff no Estado é essencial estarmos juntos com o PMDB e PR que são siglas de forte expressão por aqui. O diretório estadual cogita meu nome enquanto o municipal prefere que eu fique na prefeitura. Então digo que minha pré-candidatura não é improvável, mas também não é garantida”, afirmou o prefeito.

Fonte: Site Roberta Tum (www.robertatum.com.br)

Comentários by Kiko:

Sem dúvida que a cidade de Dianópolis precisa de uma candidatura competitiva para o legislativo, seja na esfera estadual ou federal. O prefeito José Salomão tem um excelente perfil político e vem sendo muito incentivado pelo diretório estadual e pelo prefeito de Palmas e pré-candidato ao governo Raul Filho para pleitear esta vaga.

O que vai nortear a decisão do prefeito será uma consulta ampla aos eleitores, correligionários, lideranças diversas e diretórios (local e estadual).

Um outro ponto importante será a configuração da chapa majoritária encabeçada pelo PT. Se o nome for o de Raul, também ganha força uma eventual candidatura, que inclusive poderia impulsionar a campanha petista no sudeste.

Porém, ainda deve ser levado em consideração o restante do mandato e a continuação de obras e outras realizações. Existem vários convênios já celebrados entre a prefeitura e o governo federal. Se houver compromisso de continuidade e parceria administrativa, uma desincompatibilização do cargo seria possível.

terça-feira, 23 de março de 2010

Entrevista exclusiva do Presidente Lula ao JTO


Entrevista exclusiva concedida por escrito pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o Jornal do Tocantins (Publicada em 23 de março de 2010).

Jornalista: A construção da Ferrovia Norte-Sul ganhou fôlego durante o seu governo e os trilhos avançaram no Tocantins, estando com todos os trechos em obras. O senhor vai inaugurar a ferrovia no Tocantins ainda este ano?

Presidente: Sim, até o final deste ano nós vamos concluir as obras de todo o trecho que falta da Norte-Sul, de Açailândia (MA) a Anápolis (GO). Isso significa que vamos inaugurar todo o trecho que corta Tocantins e também o Estado de Goiás. Será uma alegria muito grande concluir uma grande obra, que foi projetada para promover a integração nacional, minimizando custos de transporte de longa distância e abrindo caminho para o desenvolvimento econômico e social da região do cerrado brasileiro. A Norte-Sul começou a ser construída em 1987. Quando assumi, em 2003, tinham sido construídos 215 km, ligando Açailândia a Aguiarnópolis, aqui no Tocantins. Em sete anos, nós imprimimos um ritmo mais acelerado às obras, construindo mais 371 km, ligando Aguiarnópolis a Guaraí, também aqui no Estado. E estamos com obras em execução no trecho de 978,5 km, entre Guaraí e Anápolis (GO). No PAC-2, que vamos lançar ainda este mês, estamos incluindo a extensão da Norte-Sul de Anápolis até Estrela D’Oeste, no interior de São Paulo – mais 680 km –, o que vai permitir a ligação com a malha ferroviária paulista e, conseqüentemente, com o porto de Santos. Será beneficiada uma área de 1,8 milhão de km2, correspondendo a 21,8% do território brasileiro, onde vivem 15,5% da população. Com a Norte-Sul, estamos garantindo uma logística adequada ao escoamento da produção agropecuária e agroindustrial da região. Inúmeros benefícios sociais estão surgindo com a Ferrovia Norte-Sul. A articulação de diferentes ramos de negócios, proporcionada por sua implantação, está contribuindo para o aumento da renda interna e para o aproveitamento e melhor distribuição da riqueza nacional.

Jornalista: A União tinha uma dívida constitucional de R$ 1,3 bilhão com o Tocantins, referente à criação do Estado, e que após muita luta foi reconhecida ainda no governo anterior ao seu, quando começou a ser paga em parcelas. Segundo dados do governo do Tocantins, entre 2001 e 2005, portanto já no seu governo, o Estado recebeu R$ 498 milhões. Em 2008, outros R$ 40 milhões foram pagos em emendas parlamentares. Ainda conforme o governo estadual, restam R$ 758 milhões, dos quais R$ 300 milhões foram incluídos em emendas parlamentares no Orçamento de 2010. O senhor acha possível quitar esse débito antes do término do seu governo, tornando-se o presidente que saldou a dívida da União com o Tocantins?

Presidente: Em primeiro lugar, quero esclarecer que a União honra todos os compromissos de dívidas que tenham sido reconhecidas e atendam aos requisitos legais, independentemente de alternância ou não de governos. Neste momento, a União não tem dívidas com o Estado do Tocantins, pois, segundo informações do Ministério da Fazenda, os compromissos já foram quitados. Entre 2001 e 2005, contudo, foram concedidos, sob supervisão do Ministério da Fazenda, um total de R$ 497,1 milhões ao Tocantins, não como dívida, mas sim como apoio financeiro especial por parte da União ao Estado. O que existe hoje é o pleito do governador Gaguim de liberação extra de recursos. Já determinei ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que analise a solicitação e trate do assunto diretamente com o governador. Nosso reconhecimento da importância do Tocantins pode ser medido, antes de mais nada, pelo volume de recursos que estamos direcionando para o Estado por meio do PAC. São R$ 20,4 bilhões em obras de Infraestrutura Energética, Social-Urbana e Logística, incluindo projetos exclusivos do Estado e também os regionais.

Jornalista: O desenvolvimento do sistema multimodal de transportes é marcante em seu governo, com a construção de ferrovias, hidrovias e recuperação e ampliação da malha rodoviária ao longo dos últimos sete anos. O Tocantins é um Estado cuja localização é estratégica para o escoamento da produção do Centro-Norte do País. Além da Ferrovia Norte-Sul, o Estado luta pela implantação definitiva da Hidrovia Tocantins, que depende da construção das eclusas nas usinas hidrelétricas de Lajeado – cujos recursos não têm sido suficientes para um andamento célere das obras – e de Estreito, na divisa com o Maranhão, onde sequer existe projeto para tal obra. Há ainda a rodovia federal BR-153 (Belém-Brasília), que em vários trechos não apresenta condições satisfatórias de tráfego. Algumas obras estão contempladas no PAC, mas efetivamente o que seu governo ainda pode fazer, este ano, para garantir que esses modais venham a formar, a médio prazo, o corredor logístico que integrará o Sul ao Norte do Brasil a custos competitivos para a cadeia produtiva?

Presidente: O Estado do Tocantins, por seus vastos recursos naturais, apresenta grande potencialidade para expansão de sua atividade econômica. Reconhecendo esta potencialidade é que este Governo está investindo, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, cerca de R$ 3 bilhões só na infraestrutura logística (sistemas, vias e terminais de transportes) do Estado, no período 2007-2010. Estes investimentos são realizados em todos os modais de transporte. No modal ferroviário, vamos concluir até o final deste ano todo o trecho da Norte-Sul no Tocantins e ainda chegar até Anápolis/GO. Será a viabilização de um corredor ferroviário que, junto com a Estrada de Ferro Carajás, terá mais de 2,2 mil km e permitirá o escoamento das cargas locais pelo Porto de Itaqui/MA. Já concluímos, no mês passado, o projeto básico da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que vai ligar a Norte-Sul, em Figueirópolis (TO), a Ilhéus (BA), com 1526 km de extensão. Sexta-feira, já vamos lançar, em Ilhéus, os editais para a contratação das empresas que vão construir os trechos da primeira etapa desta Ferrovia. Em relação às hidrovias, as obras nas Eclusas de Tucuruí serão concluídas e terão início as obras de derrocamento de pedrais no Rio Tocantins. Estas intervenções permitirão a movimentação de mercadorias num trecho de 780 quilômetros entre o porto de Vila do Conde e a foz do Rio Araguaia, perto de Marabá. Em relação às rodovias, a BR-242 no trecho Peixe/TO a Paranã/TO está sendo ampliado, junto com as obras no Contorno Rodoviário da cidade de Guaraí e a construção da Ponte sobre o Rio Araguaia, na BR-230. Também estão em andamento a manutenção e a restauração da malha viária federal no Estado. Ao todo, mais de 1,3 mil km de rodovias federais em Tocantins estão recebendo investimentos no âmbito do Programa CREMA 1a. Etapa, que já abrange toda a BR-153, além de segmentos da BR-010, BR-226, BR-230 e BR-242. Esses avanços são a reafirmação do compromisso do nosso governo com a população deste Estado. Estamos trabalhando para dar continuidade aos investimentos em infraestrutura e para viabilizar outros projetos estruturantes que beneficiarão o Tocantins e o país, de Norte a Sul.

Jornalista: O PT e o PMDB no Tocantins selaram acordo para disputar as eleições ao governo do Estado. O PT tem como pré-candidato o prefeito de Palmas, Raul Filho e o PMDB, o governador Carlos Gaguim. Qual a composição que seria mais interessante para o Senhor na disputa ao governo do Tocantins?

Presidente: Recebi o governador Carlos Henrique Gaguim em Brasília e junto com ele o anúncio, que me deixou muito feliz, da aliança entre o PMDB e o PT aqui no Estado. O prefeito Raul Filho é meu amigo e companheiro de partido. Ele tem feito um trabalho extraordinário em Palmas, mas terá de tomar uma decisão bem difícil este ano, a de deixar a prefeitura da capital de seu Estado para se candidatar. Em relação à composição mais interessante, eu acho que é aquela que conseguir unir PT, PMDB e os demais partidos aliados. E que seja a mais competitiva tanto para a disputa local quanto para a disputa nacional. Nós precisamos garantir que todas as políticas que estamos implementando e que estão tirando o Brasil do atraso, promovendo o crescimento sustentável, distribuindo renda, garantindo um país para todos os brasileiros, tenham continuidade e avancem ainda mais. Confio nos companheiros do Tocantins e espero que eles se entendam em benefício do Estado e do Brasil.

Jornalista: A sua base no Tocantins vai enfrentar uma coligação adversária formada pelo ex-governador Siqueira Campos (PSDB) e a senadora Kátia Abreu (DEM), que uniram forças para conquistar o Palácio Araguaia e defender a possível candidatura de José Serra. Nesse contexto, como o Senhor pretende atuar nas eleições deste ano no Tocantins?

Presidente: Sobre as eleições, precisamos separar quem está ao lado do nosso projeto nacional de mudanças e quem não está. Espero que a aliança entre PT e PMDB vá além dos dois partidos e consiga unir toda a nossa base nacional também no Tocantins. Acho que os tocantinenses não querem a volta de um tempo em que esse Estado – assim como vários outros distantes do Centro-Sul – não era levado em conta na elaboração das políticas públicas. O Brasil passou anos praticamente estagnado, pedindo dinheiro emprestado e se sujeitando ao monitoramento do FMI, sem investimentos em infraestrutura, com altíssimo índice de desemprego, com sua população mais pobre sem nenhuma perspectiva. Hoje, estamos comemorando o fato de termos atravessado praticamente sem nenhum arranhão, uma crise que devastou a maioria dos países. Enquanto no mundo todo foram eliminados nada menos que 16 milhões de postos de trabalho, em 2009, no Brasil, ao contrário, nós criamos mais 995 mil empregos com carteira assinada. E este ano devemos criar mais 2 milhões de empregos formais, uma coisa excepcional. É o projeto político vitorioso nos últimos anos que queremos manter. Por isso, vou apoiar decididamente o conjunto de forças que estão conosco e que vão estar coligadas também no plano estadual. O Brasil merece.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Hidrelétricas destroem cachoeiras no Jalapão


Tornou-se um drama para o meio ambiente uma das soluções encontradas pelo governo para tentar atender à crescente demanda por energia elétrica. Por necessitarem apenas de uma queda de água e pouca vazão, as Pequenas Centrais Hidrelétricas, chamadas de PCHs, proliferam sem controle, engolem cavernas e destroem corredeiras Brasil afora.

Como não ocupam grandes espaços nem precisam de lagos gigantescos, as PCHs podem ser construídas enfileiradas umas atrás da outras. É o que está acontecendo no município de Dianópolis, que fica a 350 quilômetros a sudeste de Palmas.

A região é um dos portões de entrada do Parque Estadual do Jalapão - uma área de 150 mil hectares que mistura Cerrado e veredas cortadas por rios. A Estação Ecológica da Serra Geral e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba são vizinhos do Jalapão.

Na região de Dianópolis foram construídas e estão em funcionamento seis PCHs, todas no Rio Palmeiras. Outras duas estão em construção no mesmo rio e deverão começar a funcionar logo - as oito PCHs ficam em um trecho de apenas 150 km, distância igual à que separa as cidades de São Paulo e Limeira.

Ao sul e ao norte do Palmeiras há outras três PCHs em funcionamento, perfazendo uma dezena de pequenas centrais em uma única região de alta sensibilidade ambiental.

Por causa da construção das PCHs em sequência, não há mais como praticar o rafting (descida nas corredeiras com boias) no Rio Palmeiras.

As obras destroem as cachoeiras porque precisam de um desnível no rio que dê à água que cai força suficiente para rodar as turbinas. Elas destroem também grutas e outros acidentes naturais.

Para a construção das PCHs de Areias e Água Branca, negociaram com o Ministério Público compensações para que seja preservada a Gruta da Vozinha - assim chamada porque o vento que passa entre as paredes faz o som de uma fina voz - e um local conhecido por Vale Encantado, com atrativos naturais.

Sem royalties. O Rio Palmeiras, tão cheio de PCHs, nasce na Serra Geral, que divide os Estados da Bahia, de Goiás e do Tocantins. Seu curso segue para oeste. Ao chegar em Dianópolis, vira para o sul. Como é característico da Bacia do Tocantins, há nele muitas quedas d"água, o que atraiu as pequenas usinas.

Suas águas correm muito rápido até chegar ao Rio Palmas, que deságua no Rio Paranã, e daí vão para o Tocantins.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), operam hoje no Brasil 359 pequenas centrais hidrelétricas, gerando 3.045 megawatts (MW), ou 2,78% da energia do País.

Outras 72 estão em construção e já foram outorgadas mais 145. As PCHs encaixam-se na categoria das usinas que geram energia limpa, com um mínimo de emissão de gases de efeito estufa, o que é bom para o País.

O problema é que, além de destruírem cachoeira, ao contrário das grandes centrais hidrelétricas, que pagam pesados royalties aos municípios - permitindo assim compensações e investimentos em preservação ambiental -, as pequenas hidrelétricas não deixam um centavo no local onde funcionam.

A lei isenta do pagamento de royalties as hidrelétricas que geram até 30 MW, o máximo de potência permitido para as usinas enquadradas como PCH. Além disso, o ICMS é pago no local de consumo da energia, e não onde é gerada.

As que ficam no portal do Jalapão vendem a energia para municípios vizinhos da Bahia. Nada vai para Dianópolis, Taguatinga e Bom Jardim, por onde passa o Rio Palmeiras.

"A legislação tem de mudar", diz o prefeito de Dianópolis, José Salomão (PT). "Elas geram sérios problemas ambientais, pois mudam a topografia da região, desaparecem com as cachoeiras, impactam a vida dos ribeirinhos e não pagam nada por isso."

Problemas sociais. As PCHs deixam também um rastro de problemas sociais. Durante a construção chegam pessoas de todos os lados, que pressionam principalmente os postos de saúde municipais. O prefeito conta que, depois da conclusão da obra, a maioria dos trabalhadores vai embora, mas alguns "ficam por ali perambulando", sem trabalho. "Também costuma ficar uma penca de meninas grávidas", afirma Salomão.

"Vou começar a jogar duro com as PCHs. Elas geram muitos danos. Desmatam, mudam cursos d"água, acabam com as cachoeiras e provocam doenças. Recentemente tivemos um surto de leishmaniose na região", diz o promotor de Dianópolis, Rodrigo Barbosa Vargas.

A Eletrobrás, que compra toda a energia das PCHs, informou por intermédio de sua assessoria de imprensa que os projetos só podem ser aprovados quando cumprem todas as exigências legais. E os empreendedores têm de assinar documentos se comprometendo a fazer compensações ambientais.

Fonte: Jornal O Estadao de São Paulo

sexta-feira, 19 de março de 2010

Missa e festa de São José em Brasília acontece neste domingo


No próximo domingo (21), a partir das 10 horas, na Igreja São Judas Tadeu, na 908/909 Sul, ocorrerá a missa e festa de São José. As informações são de Rana Aires, uma das festeiras deste ano.

Ela lembra que no sábado, na ABO, na Asa Sul, será realizada a novena dos dianopolinos que residem em Goiânia. Todos estão convidados.

Fonte: www.dnoto.com.br

segunda-feira, 15 de março de 2010

Entrevista: "O povo não gosta de governo fraco" - Raul Filho


O quadro político mudou bastante nas duas últimas semanas no Tocantins. A desistência do senador João Ribeiro (PR) de disputar o governo do Estado deixa apenas um nome exposto na disputa, o do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), que chegou a ser anunciado em algumas ocasiões. É verdade que para consolidar a candidatura ainda falta muito, mas como é um dos que precisa deixar o cargo seis meses antes da eleição para não ficar inelegível, naturalmente o cerco vai se apertando.

Na medida em que chega ao fim o prazo de desincompatibilização para concorrer às eleições deste ano, o prefeito Raul Filho vai sendo cada vez mais pressionado a anunciar se deixa ou não a Prefeitura de Palmas. Há cerca de duas semanas o presidente nacional licenciado do PDT, ministro Carlos Lupi, veio à Capital tocantinense e lançou a candidatura do petista ao governo. Nas palavras do próprio ministro, o nome de Raul tem apoio da cúpula nacional do PT, do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff, além, é claro, do seu partido, o PDT, tanto em nível nacional, quanto em nível estadual. Lembrou ainda que, com a saída de Raul, o PDT herda a Prefeitura de Palmas, com Edna Agnolin.

Nesta entrevista exclusiva, o prefeito Raul Filho fala de sua administração e da possibilidade de disputar o governo. Além disso, opina sobre como deve ser o comportamento de um governante perante determinadas situações e analisa o quadro político do Estado. Apesar de muita gente também considerar a possibilidade de Raul disputar uma vaga ao Senado, o prefeito só falou na possibilidade de concorrer a governador.


Tribuna do Planalto - Que avaliação o senhor faz desta sua segunda gestão?

Já estamos com mais de um ano no segundo mandato e pode-se dizer que em toda gestão você enfrenta ações burocráticas que, muitas das vezes, emperram o cronograma que você estabelece. Mas tenho a certeza de ter tido grandes conquistas. A cidade é o exemplo do que ela vem recebendo. A gente não mede a ação de um gestor só por obras físicas. Numa cidade como a nossa, com problemas sociais de toda ordem, você tem que mensurar isso também. A nossa cidade cresce em qualidade de vida, aumenta sua oferta de trabalho, cresce no comércio, cresce na indústria, cresce na educação, avança na saúde, temos tido crescimento considerável na habitação. São programas que estão implantados e que vem tendo avanços e atendendo à população na expectativa nossa e no que nós estabelecemos como meta.

Mas há problemas?

Há atrasos em setores como infraestrutura porque não tivemos a sorte de contar... Primeiro teve a correção de uma licitação que assumimos a gestão por mão de obra da própria prefeitura. Depois teve a questão que nos deparamos com o período chuvoso. Tudo isso tem gerado um certo atraso em alguns setores. Mas considero que a gente está fazendo muito e faremos muito mais neste segundo mandato, do que o que foi feito nos quatro anos passados.

Educação continua sendo prioridade na sua gestão?

Nós temos priorizado a Educação. Por quê? Essa é uma bandeira que todo político que postula cargos executivos levanta. Todos têm a oportunidade e poucos fazem. E nós tivemos mesmo esta determinação de dar às crianças de Palmas essa qualidade de vida. Porque não é só a parte pedagógica. Isso tem contribuído também na questão de formação, assistência médica, odontológica. Até mesmo na parte intelectual, porque eles têm muitas atividades culturais e esportivas. Estamos construindo a verdadeira cidadania. E também preparamos eles da educação infantil para o nível fundamental, do fundamental para o médio, para que possam ser competitivos. Assumimos a educação como uma bandeira do nosso governo e estamos cumprindo o que estabelecemos.

Por tudo isso que o sr. colocou, vários de seus companheiros de partido e de coligação têm conclamado a sua candidatura a governador ou a outro cargo em que possa contribuir mais com o povo tocantinense. Como analisa esses pedidos?

Em primeiro lugar, fico feliz quando vejo o meu partido me convocar para esta missão. O PT me convidou para assumir a condição de candidato ao governo do Estado. E vejo também que setores da sociedade têm manifestado simpatia por este projeto e pelo nosso nome. Agora, entre tomar uma decisão para ser candidato e me manter à frente da Prefeitura para continuar este trabalho, depende de uma série de fatores que estão em estudo. Tenho que ter, sobretudo, o trabalho como a lógica de uma campanha que tem grandes perspectivas de vitória. Então, isso está em análise e eu quero que até o dia 20, no máximo, para ter uma decisão se serei ou não candidato.

Neste novo quadro político que se desenha no Estado, tivemos há poucos dias o senador João Ribeiro manifestando sua decisão de não mais disputar o governo e de postular a reeleição para o Senado. O sr. acredita que esta posição atrapalha as articulações ou coloca o senador mais perto do que nós conhecemos hoje como oposição ao governo do Estado?

Não acho que atrapalha. Se você for olhar a história política do Estado, nós sempre tivemos um cenário de um setor forte e outro não, fragilizado, mas com menos condições de fazer este debate. Hoje não. O Tocantins está colocado no cenário político para a sociedade numa ciência que está melhor estudada do ponto de vista do eleitor. Não temos mais eleições decididas na convenção. Ela hoje é decidida na urna. Num passado recente se decidia na convenção quem eram os candidatos e quem estava eleito. Hoje é diferente. O povo está muito politizado e a posição do senador João Ribeiro é a de um líder que, é lógico, contribui onde estiver. Mas não quer dizer que isso é determinante.

Não basta passar na convenção?

Não. Você tem que ter apelo popular. Vivemos um momento no passado, repito, que as pessoas tinham medo de se manifestar e que votavam por indução. Hoje isso não existe mais. Vivemos em plena democracia e não há mais espaço para imposição, para truculência, para o medo. A gente conseguiu superar esta fase. Vamos ter com segurança no próximo governador um homem que possa trazer para a sociedade um debate amplo, que venha a convencer pelas suas propostas, programas, e também pela sua história. Não vejo que o povo está por decidir aí porque o líder tal fragilizou e voltou para o grupo tal. Ou um que fraquejou e entende que tem que estar do lado do mais forte, do mais adinheirado. Isso não. A gente começa a colher agora a essência de ideais, de compromisso, de respeito. É uma fase interessante. Por esta razão eu tenho colocado meu nome com a mesma pretensão de disputar [o governo], porque eu vejo um povo muito maduro para escolher o seu governante.

Como o sr. vê o cenário político atual do Estado, onde a coalizão que elegeu o governador Gaguim sofre perdas e alguma instabilidade?

Olha, o governante tem que governar com autonomia. Ele não pode ser refém de nenhum setor da sociedade e, sobretudo, de outro poder. A gente, infelizmente, vê isso no Estado, até pelas circunstâncias que levaram à escolha do atual governador. Então, eu não vou falar de enfraquecimento, mas o povo não gosta de governo fraco. Governo tem que tomar decisões. E ele não pode tomar decisões alienado a interesses individuais. Essa também é uma situação que se coloca para a opinião pública.

O sr. acha que a opinião pública está avaliando isso?

Não, ela já avaliou. Isso é inadmissível. Não quero dizer com isso que está acontecendo no Estado. Se essa é a intenção daqueles que hipotecam apoio ao governador no sentido de fortalecer os seus projetos individuais, acho que o governador tem que reagir. Ele não pode permitir que o Estado seja leiloado para interesses de grupos, de projeto isolado de um representante do povo. Isso mostra fraqueza e pode comprometer tanto a gestão quanto o processo político no ano.

Que parâmetros e fatores o sr. leva em consideração para ser ou não candidato a governador do Tocantins?

São vários. Primeiro, nós precisamos saber de Brasília – eu acho isso importante –, do meu partido, qual o real interesse neste processo. O PT trabalha articulado: nacional, regional e local. Mas isso não é determinante. O que precisamos mesmo é ter a preferência da opinião pública como termômetro para esta decisão. Não quero falar que preciso estar numa pesquisa à frente dos demais. Mas que esta pesquisa nos mostre os cenários possíveis, que tenhamos indicadores e possibilidade de crescimento. Que a gente não tenha teto. Que este teto seja os 100% para você atingir. É isso e também a forma com que vamos aliançar este grupo, quais os partidos que estarão comungando com o mesmo pensamento, com esta mesma linha ideológica. Somando tudo, isso contribui para uma decisão.

No campo nacional, como o sr. analisa o crescimento da pré-candidatura da ministra Dilma Roussef?

Hoje já não é mais pré-candidatura, o partido já lançou. Então, ela já passou da fase da pré-campanha. O presidente Lula tem feito um trabalho de atendimento ao combate às desigualdades de forma tamanha no País que o poder de transferência de voto dele é muito grande. E por um período ele fez isso com a ministra Dilma, dando o pontapé inicial para que ela conquistasse respeito da sociedade brasileira. É uma mulher capaz de dirigir os destinos do País. Ela já vem dessa fase e já começa a colher agora os resultados. É um nome muito forte com reais perspectivas de vitória, até porque o provável concorrente não age, não reage. Temos um cenário muito positivo para que o PT continue esse programa que o Lula deu início e que que precisa de mais um período para ser consolidado. A Dilma retrata para nós o perfil de continuar melhorando, ampliando o que hoje nós já estamos vivendo, seja na política econômica, seja no social, na infraestrutura, na cultura. A gente vive uma fase boa no Brasil.

Fonte: Jornal Tribuna do Planalto

domingo, 14 de março de 2010

Raul reafirma em Porto que PT terá candidatura própria ao governo do Estado


A 8º edição do Seminário do Plano de Desenvolvimento Econômico e Social para Estado do Tocantins promovido pelo Partido dos Trabalhadores aconteceu ontem, sexta-feira, 12, em Porto Nacional. O evento foi prestigiado pelas lideranças portuenses e dos municípios circunvizinhos. O vice-prefeito de Porto Nacional, Erazine Fonseca deu início aos trabalhos agradecendo a presença de todos.

O presidente do PT, Donizeti Nogueira, lembrou que Porto Nacional é um dos berços históricos do Partido dos Trabalhadores. Donizeti destacou que sempre foi um sonho do PT caminhar ao lado do PDT. Para o petista essa aliança pode ajudar a consolidar a aliança com o PMDB e demais partidos da base aliada do presidente Lula no Tocantins.

Já o prefeito de Palmas e pré-candidato a governador, Raul Filho, agradeceu a presença de todos e destacou os motivos pelos quais o PT está realizando estes seminários. De acordo, com o petista o Estado do Tocantins é carente de um programa que articule desenvolvimento econômico, com distribuição de renda. Raul reconhece que houveram grandes investimentos na área de infra-estrutura, principalmente depois que o presidente lula chegou à presidência, porém para ele não existe uma política articulada de valorização do ser humano, “que continuemos a investir em concreto, mas sem esquecer a promoção humana”, afirma.

Raul também fez questão de enfatizar que o PT trabalha pela candidatura própria. “O PT terá candidato próprio e estamos trabalhando para agregar o maior número de partidos em prol deste projeto”.

Para o ex-prefeito de Porto Nacional, Paulo Mourão a participação do PT nas eleições deste ano será de suma importância para amadurecimento político no Tocantins, “é preciso mudar essa cultura, onde apenas alguns grupos decidem os rumos da política no Estado”, afirmou, acrescentando que construir suas ações em conjunto com a comunidade é uma prática reiterada do Partido dos Trabalhadores.

A prefeita de Porto nacional, Tereza Martins (PDT), anfitriã da noite, referindo-se a Raul como amigo, disse que também espera uma unidade entre os partidos, destacando entre outras tarefas a importância de eleger a primeira mulher para a Presidência da República, a Ministra Dilma Rousseff (PT). O presidente municipal do PMDB de Porto Nacional, Batista Pereira, destacou em sua fala as características do administrador Raul Filho. Parabenizou Donizeti Nogueira pela atuação a frente da presidência do PT e reforçou que caso Raul seja o escolhido entre os nomes da base aliada do presidente lula para disputar o Palácio Araguaia, estará com ele.

O prefeito de Fátima, Luiz Mourão destacou o modo petista de governar, para ele o PT se destaca em suas administrações, porque administra de forma participativa e com transparência na utilização do dinheiro publico. Luiz citou a gestão (2004 a 2008) do prefeito Paulo Mourão em Porto Nacional, quando prefeito Paulo ganhou o prêmio de Prefeito Empreendedor concedido pelo Sebrae por duas vezes, em reconhecimento as ações desenvolvidas no município.

O presidente do PTN, Junior Luiz, reafirmou que partido estará a nível nacional na campanha de Dilma a presidência e que no Tocantins caminhará ao lado do petista Raul Filho. A vice-prefeita de Palmas, Edna Agnolin, que acompanha a caravana como convidada do PT, também reforçou em sua fala que o PDT no Tocantins estará com o petista Raul Filho.

Também fizeram uso da fala o presidente do Sintet, José Roque e o ex-deputado federal, Secretário de Governo da Prefeitura de Palmas, Darci Coelho. Na ocasião ele fez questão de lembrar e agradecer o título de cidadão portuense que recebeu do município.

Fonte: Assessoria de Imprensa PT

sexta-feira, 12 de março de 2010

José Salomão defende que PT "está no caminho certo" ao buscar aliados da base de Lula


Avaliação do novo cenário político e articulação entre o PMDB e PT

"A política é muito dinâmica e nós avaliamos que o PT está no caminho certo de procurar esses entendimentos, de unir forças em torno da base de sustentação do governo Lula visando a candidatura de um nome dessa base."

"E, pelo que estou percebendo, o processo está afunilando entre o nome de Raul e do Governador Gaguim. O partido está procurando chegar à um entendimento e acertar a chapa majoritária."

União de outros partidos

"O PR tem papel importantíssimo nessa possível coligação mesmo porque ele é um partido da base de apoio do governo Lula e o Senador João Ribeiro é uma das lideranças que tem um trânsito muito bom em Brasília."

"Acredito que não só o PR, mas também o PDT, o PSB, enfim, todos os partidos da base são importantes nessa negociação para fechar em torno de um nome e de um palanque único para a candidatura Dilma."

Nome de Raul para o Governo do Tocantins

"Eu entendo que o nome de Raul é o mais viável, é um nome leve, é um político carismático que tem tudo para agregar e levar à frente esse projeto que é de suma importância para continuidade de um projeto que é de todos nós."

"E aqui no Tocantins o estado necessita de uma cara nova, uma nova mentalidade que dê prosseguimento a esse caminho que tem sido traçado de desenvolvimento e progresso."

Confira a entrevista exclusiva do Prefeito José Salomão à Rádio CT:

http://www.portalct.com.br/n/cc2126c837bdd7cc008c5495b2decc83/jose-salomao-defende-que-pt-esta-no-caminho-certo


Fonte: www.portalct.com.br

quinta-feira, 11 de março de 2010

Artigo: O que a oposição quer (por Emir Sader)


A definição do candidato e do seu vice não é o maior dos problemas que enfrenta a oposição no Brasil. Este problema aumenta de dimensão porque a oposição não definiu que plataforma pretende propor. Este elemento de fraqueza responde, em parte, pela queda reiterada do apoio a Serra nas pesquisas e pela subida de Dilma.

A oposição frenética que a caracterizou na crise que logrou gerar no governo de 2005 terminou retornando como um bumerangue contra ela, porque acreditou que aquela era a via para derrotar o governo. A linha era “fazer sangrar o governo, até derrubá-lo”. A discussão então era se tentá-lo via impeachment ou pelas eleições presidenciais de 2006.

A realidade concreta recolocou o problema em outros termos: as políticas sociais do governo garantiram sua legitimidade e deslocaram a oposição que, desnorteada, se dividiu entre seguir adiante com a linha de denuncismo e outra que, assimilando o prestígio do governo, afirma que manterá as políticas econômica e social do governo – alegando que teriam sido formuladas pelo governo FHC. No primeiro caso, se deram conta que não significa ganhar apoio popular – salvo de alguns setores da classe média, que já estão aderidos à oposição, incluídos nos 5% que rejeitam o governo -, no segundo, que representa aceitar elementos essenciais do governo atual, tendo dificuldade para diferenciar-se da candidata que representa centralmente a continuidade do governo atual.

O que têm em comum os tucanos, o Dem, o PPS, as empresas privadas da mídia que fazem oposição cerrada ao governo, é o objetivo de tirar o PT do governo. FHC advertia a Aécio – tentando convencê-lo a jogar-se nessa difícil empreitada – de que correm o risco de ficar fora do governo por 16 anos, caso ganhe Dilma. Há a consciência de que será toda uma geração de políticos agora opositores que desapareciam da cena política – entre eles Serra, FHC, Tasso Jereissati.

O dilema não é fácil. A carta de assumir um projeto neoliberal duro e puro – como fez Alckmin no primeiro turno das eleições de 2006 – é ainda menos popular, com a crise econômica internacional, que ressaltou os riscos desse modelo e reiterou a necessidade de regulação dos mercados e de atuações anticíclicas por parte do Estado. Incorporar os programas do governo Lula é disputar com Dilma numa seara favorável a ela. Como já se disse, a infelicidade de Serra é que, quando o país queria mudar, pelo fracasso do governo FHC, apesar de tentar distanciar-se do governo a que pertenceu o tempo todo, ele representava a continuidade. Agora, que a opinião amplamente majoritária do país quer continuidade, ele teria que representar a mudança. Daí o jogo de palavras de tentar ser “pós-Lula” e não anti-Lula. Mas para que exista um pós, deveria estar esgotado o projeto encarnado pelo governo Lula que, ao que tudo indica, está longe dessa situação.

Tendo nas mãos esse problema, Serra vacila em assumir sua candidatura, a oposição não explicita seu programa, revelando o poder hegemônico conquistado pelo projeto do governo. A capacidade de veto da oposição se esgotou, sem ter conseguido construir um projeto alternativo.