Pré-candidato
a governador pelo PT defende a profissionalização da gestão e o envolvimento da
cidadania para a transformação do Tocantins
O
pré-candidato a governador pelo PT, Paulo Mourão, é o segundo entrevista da
série que o CT está fazendo com os postulantes às
eleições de 2014. O primeiro foi o pré-candidato do Psol, Élvio Quirino. Mourão
admitiu que o governo, ainda que sofrendo desgaste perante a opinião pública,
conseguiu se fortelecer politicamente com o apoio de grande parte dos
principais partidos políticos do Estado. "Como num passe de mágica",
comparou o pré-candidato petista. Na avaliação dele, o Palácio Araguaia já teria
hoje em torno de 12 partidos, o que poderá lhe garantir cerca de 13 minutos de
propaganda eleitoral na TV.
Para o também ex-prefeito de Porto Nacional e ex-deputado federal, o governo
ressurgiu, por um lado, por sua capacidade de "convencer" as
lideranças e partidos. "Como um governo tão ruim, avaliado por 64% como
ruim e péssimo, outros índices de 58% de ruim e péssimo, pode ter 85% de apoio
dentro da Assembleia Legislativa e maciçamente um apoio das siglas partidárias
que representam o nosso povo, de deputados estaduais, federais,
senadores?", questionou.
Por outro lado, contudo, o petista também citou a incompetência da oposição de
dialogar. Porém, Mourão afirmou que os oposicionistas conseguiram avançar de
uma semana para cá. "Umas coisas boas aconteceram no sentido de alguns
partidos desejarem ter o diálogo. Antes, nem isso a gente estava
conseguindo", contou. "Há aí uma falta de compromisso com o Estado de
quem se acomodou para apoiar o governo, virando as costas ao povo, e de uma
incompetência de diálogo, nossa, das oposições, para entendermos que é preciso
fazer um pacto para salvar o Estado, um pacto em defesa da sociedade
tocantinense."
O pré-candidato afirmou que a terceira via - grupo que era formado por PP, PT,
PSL e PCdoB - se esvaziou. Apesar de admitir que ainda poderia ser considerada,
avaliou que o momento é de juntar todas as forças contra o Palácio Araguaia.
"Acho que a sociedade principalmente. Nós não podemos fazer um movimento
apenas político-partidário. Para se derrotar essa força econômica que se juntou
aí, tem que ser com a cidadania", defendeu.
Mourão ainda afirmou que o Estado precisa profissionalizar a gestão. "O
dinamismo da sociedade requer um Estado transparente, soluções para políticas
públicas de base, que é educação, saúde e segurança pública, e requer hoje
felicidade. E isso não se faz com demagogia, com populismo, porque é
extremamente momentâneo, você conseguir fazer uma coisa ali, mas não leva à
frente. Não há dinheiro para o populismo mais, há dinheiro para políticas sólidas,
comprometidas com o desenvolvimento", ressaltou.
Sobre o futuro do siqueirismo, Mourão afirmou que vai depender da resposta que
o cidadão tocantinense dará nas urnas em outubro. Criticando o ex-governador
Siqueira Campos (PSDB), a quem comparou a um "camaleão", disparou:
"O Siqueira tem uma capacidade de mentir e de fingir, que ninguém pode
combatê-lo. Eu tenho receio dele mentir mais uma vez para as pessoas e elas
acreditarem".
CT - Como está a
movimentação dos partidos da oposição neste momento?
Paulo Mourão - Há necessidade de os partidos
compreenderem que é preciso cuidar do Estado. Não é possível compreender que os
recursos públicos continuem atendendo demandas políticas e não atendendo a
necessidade básica premente da sociedade. Nesse debate com os partidos políticos
ainda não logramos êxito. Os partidos se acomodaram na busca do poder. E o
poder quem tem é o governo. E é um governo que está fragilizado, um governo sem
nenhuma capacidade de gestão, um governo sem vigor físico, sem vigor mental, um
governo com um descuido total do processo de planejamento, sem projetos
equilibrados e sustentáveis, de estímulo à economia, de estímulo à
empregabilidade. Esse governo com essa fragilidade, num passe de mágica, se
fortaleceu politicamente e, como poucos governos na história do Estado, está
hoje com um tanto de apoiamento de lideranças do Estado e de partidos
políticos. Se você fizer um levantamento desses partidos políticos, hoje esse
governo tem algo próximo, se não estiver enganado, de uns 13 minutos de
televisão.
CT- Ele pegou os
principais tempos de TV, fora PT e PMDB...
PM - Veja bem, ele pegou o PSDB, o
Solidariedade, o PDT, o PP, o PSB, o PR, o PRB, o PTB, o PPS, DEM, PEN e PRTB.
Enfim, foram 12 partidos que eu consegui me lembrar. Os outros partidos todos,
da oposição, estão com seus projetos próprios. O PT com candidatura, o PMDB com
candidatura, o Pros com candidatura e o PV com candidatura. Não cabe a mim
questionar porque todos, além de competentes e serem pessoas que representam e
querem bem o Estado, tem também o desejo de governar o Tocantins. Agora, o que
eu entendo que nós precisamos fazer na oposição? É fazer um pacto pelo Estado.
Não um pacto pelo poder.
CT - Você acredita que a
oposição errou? E, se errou, onde? Esse ressurgimento político do governo se
deve só à competência de articulação dele ou também a erros da oposição?
PM - Acho que se deve a duas situações.
Essa força descomunal que o governo tem de "convencer" alguns líderes
políticos - e eu não vou entrar no mérito, porque isso é a sociedade que
precisa estar atenta. Por que como um governo tão ruim, avaliado por 64% como
ruim e péssimo, outros índices de 58% de ruim e péssimo, pode ter 85% de apoio
dentro da Assembleia Legislativa e maciçamente um apoio das siglas partidárias
que representam o nosso povo, de deputados estaduais, federais, senadores?
Então, isso não vou entrar no mérito do porquê.
Mas acho que há aí uma falta de compromisso com o Estado de quem se acomodou
para apoiar o governo, virando as costas ao povo, e de uma incompetência de
diálogo, nossa, das oposições, para entendermos que é preciso fazer um pacto
para salvar o Estado, um pacto em defesa da sociedade tocantinense. À oposição,
está faltando esse líder que faça essa unidade, que faça esse chamamento. O
líder a oposição até tem, o que está faltando é ele se estimular a fazer isso.
Na verdade, falta nós nos estimularmos a isso. Acredito que, a partir de sábado
[31], o PT preocupado esta situação, já estava no seu calendário um encontro
estadual, para o qual convidaremos - o presidente Júlio [César Brasil] já fez
isso, através do nosso coordenador eleitoral, que é o prefeito José Santana [de
Colinas] - todas as lideranças políticas para fazermos um debate da conjuntura
política-eleitoral do nosso Estado. E tentarmos afinar um processo de proposta
de desenvolvimento do Estado, com a gravidade que nós estamos enfrentando, mas
com a consciência de que a sociedade precisa participar desse debate como um
todo. Aí não é só um movimento político, é um movimento de cidadania.
CT - Ainda sobre esse
apoio político maciço para o governo, você acha que a oposição tem como
reverter isso e ganhar as eleições? Como fazer?
PM - Acho que é um projeto. Se você
demonstrar à sociedade a governabilidade, a exatidão de um projeto, um
compromisso público republicano, o apoio que vamos ter da presidente Dilma, do
presidente Lula, e aqui um trabalho bem formulado, envolvendo a juventude, a
classe trabalhadora como um todo para fazermos esse salto de qualificação na
gestão pública do Estado, garantindo um Estado a serviço do seu povo, eu
entendo perfeitamente que é possível. Mesmo porque o atual governo que aí se
encontra, em que pese ter mudado, e tenho o maior respeito pelo governador que
aí se encontra, nada contra a pessoa dele, mas o modelo político é um modelo
fadigado. Eles não têm mais nada para mostrar de novo. Porque de tudo eles já
fizeram, de tudo eles já se comprometeram e de tudo eles já prometeram, e o
Estado está nesse desequilíbrio econômico-financeiro, e, brutalmente, num
abandono social do seu povo.
Então, esse governo que aí se encontra, em que pese ter mudado recentemente,
vai receber toda a carga negativa do descompromisso que foi ao longo desses
últimos três anos. Não há como dizer que eles não eram parte desse processo.
Ele [Sandoval Cardoso] era o presidente da Assembleia, onde se aprovou ou se
deixou de aprovar. Era o presidente da Assembleia, onde se deu todo apoio para
tudo acontecer ou não acontecer. É o governo que prometeu e nada fez. E agora,
o mais grave, estão querendo vender o patrimônio do Estado. Já venderam a
Saneatins e agora botaram na mira para vender a Mineratins e a Celtins. Estão
destruindo o patrimônio econômico do Estado, estão destruindo as esperanças do
nosso povo. E já destruíram a economia, a base do processo econômico do Estado,
que está em frangalhos.
Então, é preciso um governo que dê solução à questão econômica, que faça um
processo sereno e muito transparente de austeridade pública. É preciso um
governo que faça um incentivo ao capital humano, que estimule a economia, que
faça um programa de recuperação econômica e social, e isso eles não são capazes
de fazer. Ao longo dos 25 anos eles só exauriram, só gastaram de forma
perdulária o nosso patrimônio. Esse é o mesmo grupo que há 25 anos se juntou e
só se fortaleceu. Não há discurso que possa esconder mais as mazelas desse
grupo. Não há Duda Mendonça que possa fazer mais a arte de envolver o marketing
para enganar emocionalmente alguém. As pessoas estão muito conscientes de que o
resultado da mudança passa pela casa de cada cidadão e de que cada cidadã.
CT - Agora, toda essa
situação se deve exclusivamente a este governo ou vem de uma série de erros que
envolvem outras gestões?
PM - Acho que não se pode culpar só este
último governo. Mas é uma sequência do modus operandi do primeiro governo, e que vem
somente se aprofundando nesse modelo político perverso. Sem se observar que é
preciso governar para seu povo. Agora tiveram alguns governos, como o do
Marcelo [Miranda - 2003-2009], que apresentaram resultados positivos. Teve
equívocos, teve, sem sombras de dúvidas. Acho que isso nós temos que tratar com
muita serenidade e muita humildade. Não tem como deixar de reconhecer que houve
equívocos no governo do Marcelo. Mas, se você pesar os prós e os contras, com Marcelo
foi o momento que o governo mais cresceu economicamente, foi o momento em que o
governo mais deu atenção às políticas públicas e sociais. Então, foi quando
houve o maior avanço, a maior inclusão das pessoas que estavam em classe de
extrema pobreza, que saíram da extrema pobreza. Foi quando chegou todo esse
investimento do sistema atacadista no Estado. Foi o momento em que mais se
construiu casas no Tocantins. Recebemos empresas que melhoraram a qualidade de
emprego, escolas técnicas federais. Então, houve um momento em que o
governo acertou, mas houve equívocos. É preciso trabalhar com muita franqueza.
Agora, comparado a esse governo atual, não tem o que se comparar porque esse
não produziu nada. Não tem um projeto que dê um indicativo de melhoria da
qualidade de vida do cidadão e da cidadã tocantinense, não há uma política de
inclusão social. Não há nenhuma política protetora do jovem, que está
abandonado. Como posso pensar num Estado em que 60% dos jovens de 18 a 24
anos, aqui na cidade tida como a Capital Cultural do Estado, Porto Nacional,
estão fora das salas de aula? Em Gurupi, que é a Capital da Amizade, que tem
universidades, 62% dos jovens de 18 a 24 anos fora das salas de aula. Miracema,
que foi capital, 70%. No sudeste, Almas, 83%, se for para Araguatins, 69% dos
jovens. Então, é um governo que descuidou totalmente de todas as frentes de
ação de políticas públicas. Verticalizadamente, é um governo inoperante.
CT - E sua candidatura? Você tem o
perfil de gestor, foi um prefeito premiado. Mas como viabilizar sua candidatura
nesse contexto de disputa interna da oposição?
PM - Isso é uma arte que preciso aprender,
de fazer compreender que nós hoje somos o melhor nome para governar o Estado.
Mas o PT tem uma tranquilidade de chamar a discussão à mesa e provocar uma
unanimidade de alianças em uma frente ampla, dizendo que nós entendemos que
temos hoje uma capacidade, não só de visão do Estado, como de solução desses
problemas. Mas, acima de tudo, de apoio da presidente Dilma, que será a próxima
presidente, com fé em Deus, do Brasil. Então, tudo isso somaria para darmos uma
resposta mais urgente e mais assertiva nos problemas da nossa sociedade. Mas
entendemos que é preciso somar para construirmos essa aliança, e nisso nós
colocamos o nosso nome de forma igual aos outros partidos, para buscarmos daí
um nome que melhor represente, sob a ótica da sociedade. Porque é assim que se
forma um projeto vitorioso.
CT - Mas o tempo é
escasso. Como está essa movimentação hoje?
PM - Muito escasso. Eu te digo que, de
uma semana para cá, umas coisas boas aconteceram no sentido de alguns partidos
desejarem ter o diálogo. Antes, nem isso a gente estava conseguindo. Mas temos
que fazer esse diálogo de forma objetiva, porque, como você disse, o tempo está
muito escasso. Não dá para ficar com delongas, é preciso termos agora
pragmatismo, objetividade, porque a sociedade, inclusive, está órfã. Até a
relação PT-PMDB nacional pode nos fazer ter uma compreensão da importância
desse momento. Esses dois partidos podem dar uma sinalização de um compromisso
formalizado para demonstrar isso às outras siglas e aí podermos formalizar um
projeto com uma frente consolidada.
CT - Nessa sua avaliação
parece que você não considera mais a possibilidade de uma terceira via. Acha
que não cabe mais uma terceira força? Essa eleição vai ser meio plebiscitária?
PM - Eu acho que a terceira via se
esvaziou porque os líderes tiveram outro entendimento. Eu até fico feliz porque
o prefeito Amastha falou que ainda não está nessa decisão [do PP de apoiar o
governador Sandoval]. Então, é um líder da terceira via que pode retomar o diálogo.
Mas eu acho que retomar o diálogo, pensando numa terceira via, nesse momento,
talvez fosse favorecer esse instrumento que já está aí, que é o governo, que
possui essa frente de partidos tão fortalecida. É preciso avaliar isso com
muita prudência. Não acho também que não é possível mais pensar na terceira
via. É possível fazer uma análise sobre ela, mas é preciso agora, acima de
tudo, se preparar para enfrentar esse adversário tão forte politicamente e, ao
mesmo tempo, tão cambaleante sob a ótica da sociedade.
CT - Então, você entende
que a melhor situação hoje seria todos juntos contra o governo?
PM - Acho que a sociedade
principalmente. Nós não podemos fazer um movimento apenas político-partidário.
Para se derrotar essa força econômica que se juntou aí - porque não é só uma
força política, é uma força econômica -, tem que ser com a cidadania. Só a
cidadania pode derrotar o capitalismo da forma que ele está tão organizado para
tantas coisas. Precisamos estar criando um momento para um Estado novo. E não se
faz um Estado novo com um modelo político fadigado desse, que está vendo que a
força econômica, a força do dinheiro e do poder político é que se juntou
novamente. Se juntou e não está olhando para a pobreza, não está olhando para
os problemas.
A gente soube de um avião que não decolou para pegar uma criança porque o
governo não paga a táxi-aéreo há mais de seis meses. Essa empresa está
praticamente quebrada. Deve em peças, oficina de manutenção, em posto de
gasolina. Não está tendo dinheiro nem para abastecer o avião. A Políca não tem
dinheiro para abastecer carros. Mas há dinheiro para convencer partidos a
apoiar a candidatura do governo. Então, a cidadania tem que derrotar isso. E
essa frente popular só com partidos precisa se juntar e compreender a necessidade
de se despir das vaidades. Não se faz política com vaidade, pensando no seu
ego. É preciso pensar no povo. Mas é preciso se pensar para ganhar a eleição e
pensar muito mais depois para governar. Porque nós não podemos também eleger
governo para depois esse governo fazer esse modus operandi de um governo capitalista e
patrimonialista. Este Estado tem que acabar com isso.
CT - Importantes líderes
da oposição têm afirmado que após outubro a situação do Estado pode se agravar,
independente do resultado eleitoral. Você tem essa preocupação?
PM - O Tocantins é um Estado altamente
promissor. Com capacidade muito grande de estabelecer uma nova ordem econômica
e social. Que tem uma capilaridade muito, muito grande, um Estado rico. O
Tocantins é um Estado rico, não é pobre. Somos pobres de instituições eficazes
politicamente. As nossas instituições são empobrecidas no resultado político.
Nós precisamos dar liberdade e autonomia ao Judiciário, à Assembleia
Legislativa e nós precisamos ter um Tribunal de Contas nesse Estado que seja
sério, que seja honrado. Não essa situação que eu também evito até de dar
adjetivos a ela. Nós não podemos ter um Tribunal de Contas em que um procurador
de Contas diz que lá é um tribunal político, o que foi falado pelo Alberto Sevilha.
E é a pura verdade. É um homem sério, corajoso e que só falta dizer que tem
vergonha de participar daquele quadro. E ele é um dos homens sérios que este
Estão precisa, inclusive, fazer homenagens, por sua seriedade e coragem de
dizer isso. Então, precisamos de um governo que dê resultado econômico e
social. E acho que no Tocantins é possível fazer isso.
Como pode um Estado ter em torno de 60% de seu funcionalismo indicado por
políticos, por deputados? Temos que formar jovens, incentivar o serviço público
concursado para esse jovem ter amor à causa, ter compromisso com o Estado e
entender que não é puxando saco de deputado estadual que vai gerar emprego para
ele. Mas é ele se construindo, se preparando para enfrentar concursos
transparentes, sérios. Aí o Estado vai ter um corpo de funcionários ativos, que
estão lá sem dever favor a políticos, mas por sua competência. Sabemos que tem
deputado aí com a indicação de mil servidores. Mil! Um só deputado indicou mil
contratos temporários! Então, entendemos que o Estado em capacidade econômica,
mas precisa de uma gestão de competência, com austeridade e compromisso
público. Porque o Estado é capaz de retomar a economia, é capaz de estimular a
sua receita, capaz de crescer a sua economia e ter mais receitas. E não podemos
aceitar que o servidor público é a carga pesada do Estado. Não, não é. Os
servidores são a solução, desde que sejam adequadamente utilizados.
CT - Ou seja, há necessidade de profissionalização da
gestão. Como no caso de Palmas, que colocou na prefeitura uma pessoa com perfil
mais de gestor do que de político, o prefeito Carlos Amastha. Isso também
deveria acontecer com o Estado?
PM - Eu acho. Inclusive, eu fiquei muito
impressionado com o dinamismo do Amastha na questão da produção dos projetos.
Quando a presidente Dilma ofertou R$ 12,8 bilhões para o serviço de transporte
público do País, para as capitais e grandes cidades, com mais de 200 mil
habitantes, Palmas foi a primeira cidade a apresentar os projetos
qualificadamente como ótimos e, portanto, foram aprovados. Eu creio que o
Amastha, no ritmo em que ele está - obviamente tem alguns equívocos na
administração, porque todo gestor tem seus equívocos -, mas eu acho que o
Amastha é capaz de ser visto no futuro como um grande gestor.
CT - Ou seja, não dá
mais para o Tocantins continuar sendo administrado tendo a política como um fim
em si mesmo...
PM - Não dá. Estado nenhum. O dinamismo
da sociedade requer um Estado transparente, soluções para políticas públicas de
base, que é educação, saúde e segurança pública, e requer hoje felicidade. E
isso não se faz com demagogia, com populismo, porque é extremamente momentâneo,
você conseguir fazer uma coisa ali, mas não leva à frente. Não há dinheiro para
o populismo mais, há dinheiro para políticas sólidas, comprometidas com o
desenvolvimento. Então, o Tocantins não pode viver sob a cabeça de um gestor
que pensa ainda como na década de 1950, sob um gestor que manda rasgar processo
no Tribunal de Contas quando a coisa está errada - o Siqueira faz isso até
hoje, manda sumir processo. Então, não se pode mais fazer isso. Tem que ter os
portais da transparência, mostrar onde estão devidamente aplicados os recursos.
Eu te dou um exemplo muito sério, uma denúncia contra o atual governo. Teve uma
licitação de uma emenda do senador Vicentinho Alves (SD) para Porto Nacional. A
diferença da licitação foi de R$ 10 milhões. Estão exigindo que o empresário saia
da licitação para o segundo lugar ganhar com diferença a mais de R$ 10 milhões.
Ainda não consumaram a licitação. Estão forçando. Outra denúncia desse governo.
Essa lama asfáltica que estão fazendo. A corrupção está na medição. Estou
cantando a pedra: vão fazer 'X' metros e vão faturar 'Y' metros. Vão faturar
uns R$ 30 milhões a mais de serviço que não executaram. Isso era coisa do
Ministério Público fazer uma comissão e fiscalizar cidade por cidade para uma
auditoria de tudo que foi feito. Para não virar mais uma impunidade no Estado.
É grave isso que estou falando. São dois exemplos. É o modus
operandi do
Estado. Era assim e continua assim.
CT - Com a renúncia do
ex-governador Siqueira Campos (PSDB) está terminando um ciclo na política do
Estado? Você acredita no fim da era siqueirista, ainda que ele seja candidato a
senador?
PM - Eu tenho que fazer isso com muita
serenidade. O Estado precisa que a cidadania compreenda a gravidade porquê
passa o Tocantins. O cidadão e a cidadã, o trabalhador e a trabalhadora, terão
que fazer uma reflexão sobre o Tocantins, de tudo que aconteceu até agora.
Porque estão buscando se manter no poder as mesmas pessoas que fizeram este
Estado chegar à situação de caos em que se encontra, que usaram esse discurso
porque participaram efetivamente da construção - não foram os construtores, mas
participaram da construção -, e usaram isso por vários mandatos, de deputado
federal, de governador, de filho deputado federal e senador, tudo baseado num
trabalho que prestaram para criar o Estado do Tocantins. A sociedade vai ter
que pensar agora se quer continuar com essa representação, se acha que isso
representou bem a sociedade. Se acha que representou bem, tem mais uma
oportunidade de dizer o "sim". Se quiserem a mudança e que se dê um
fim a esse ciclo da ditadura siqueriana, o momento é esse, dizendo 'não'. E não
só ao Siqueira, mas a todos que acompanham o Siqueira, porque todos representam
o mal, o ruim, o fracasso do Estado.
É a mesma coisa quando se vê as pessoas que participaram efetivamente da
ditadura militar estarem ainda em alguns setores do governo. Essas pessoas que
fizeram tanto desmando, que perseguiram, que maltrataram, têm alguns deles que
estão convivendo com os poderes. Existem umas pessoas que têm essa capacidade
de camaleão, de mudar de cor, de mudar de discurso. O Siqueira é uma dessas
pessoas. O Siqueira tem uma capacidade de mentir e de fingir, que ninguém pode
de combatê-lo. Eu tenho receio dele mentir mais uma vez para as pessoas e elas
acreditarem. Então, é preciso que a juventude se levante neste Estado para
dizer um basta. É preciso que o trabalhador e a trabalhadora observem crianças
que morrem, idosos que morrem, pessoas que são assassinadas - aumento brutal na
taxa de homicídios neste Estado saiu agora no IBGE. Um dos Estados com maior
crescimento na criminalidade e homicídio no País é o Tocantins. Quer dizer, a
tudo isso é possível nós dizermos não. Agora, é preciso ter consciência. É
preciso pensar. É por isso que eu digo que este Estado merece um novo pensar. E
quem for governar este Estado não pode mentir para seu povo, precisa cumprir o
papel de transformador das políticas, das práticas políticas e das políticas
públicas. O que precisamos fazer é alertar para que este camaleão não consiga
mais uma vez mudar de cor e encantar as pessoas.
Fonte: Portal CT